CAPÍTULO 2

O final dos anos 1920 assinala no Brasil o início de uma fase de concentração das empresas concessionárias de energia elétrica sob o controle de grupos internacionais. No setor elétrico brasileiro, até meados dos anos 1950 conviverão, ao lado das empresas controladas pela Amforp
em grande parte do território nacional e pela Light no eixo Rio– São Paulo, alguns pequenos grupos
de empresas controladas pelo capital nacional.

Em meio ao quase completo monopólio do mercado de energia elétrica exercido pelas empresas
dos grupos Amforp e Light, o período foi também marcado pelas sucessivas crises de fornecimento não acompanhadas pelos devidos investimentos no parque gerador, nas linhas de transmissão e nas redes de distribuição, e pelo intenso debate no país entre dois grupos: os nacionalistas e os privatistas. Os nacionalistas propugnavam a crescente intervenção do Estado no setor, por meio de legislação que restringisse a participação de empresas internacionais e, principalmente, com a criação de empresas
estatais para superar a crise de fornecimento.

Os privatistas se opunham ao Código de Águas e defendiam a atuação das empresas privadas, especialmente as internacionais.
Outro aspecto importante que caracteriza este período é a presença cada vez mais forte do poder federal como legislador, regulador e detentor das concessões do serviço, significando profundas transformações estruturais na relação do setor elétrico com o Estado, que passou a intervir diretamente no setor de infraestrutura no intento de suplantar a tradicional atividade agroexportadora em favor do crescimento e industrialização da economia nacional.

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