O RETORNO DOS INVESTIMENTOS PRIVADOS

Como repercussão dos choques internacionais do petróleo nos anos 1970 e 1980 e das consequentes crises na economia internacional, o setor elétrico brasileiro atravessou nos anos 1980 um esgotamento da capacidade do investimento estatal,
o que dificultou o crescimento do setor. No plano internacional uma forte tendência foi a transferência das atividades das empresas de serviços públicos aos investidores privados, para aumentar o fluxo de capitais nesses setores e assim abrir perspectivas de crescimento econômico. A desestatização do setor elétrico brasileiro foi iniciada em 1995 com a venda
em leilão da capixaba Escelsa.

Em São Paulo, o Programa Estadual de Desestatização (PED) transferiu para iniciativa privada empresas do mercado bancário/financeiro, operações rodoviárias e ferroviárias e empresas do setor energético. A primeira empresa do setor elétrico que teve controle acionário vendido em leilão foi a CPFL, em novembro de 1997. Na sequência foram privatizadas as empresas originadas da cisão da Companhia Energética de São Paulo (Cesp) e da Eletropaulo.

A retomada da participação do capital privado no setor elétrico brasileiro, apoiado por um modelo de regulação que garante
a segurança jurídica e o fortalecimento do papel do planejamento na expansão da oferta de energia foi fundamental para que
o setor elétrico, combinando a atuação de empresas estatais e privadas, pudesse, nos últimos 12 anos, se expandir para atender a crescente demanda por energia elétrica com eficiência e baseada na geração elétrica a partir de fontes limpas e renováveis.